Laura Cardoso, lenda da TV e do teatro brasileiro, morre aos 98 anos em São Paulo
Laura Cardoso, lendária atriz brasileira, morreu aos 98 em São Paulo no dia 17 de agosto. Família confirma; velório em Bela Vista na terça.
Laura Cardoso, uma das atrizes de televisão e teatro mais longevas do Brasil, morreu aos 98 anos na noite de segunda-feira, 17 de agosto de 2026, em sua casa no bairro Sumaré, em São Paulo. A família confirmou o falecimento nas primeiras horas de terça-feira, 18 de agosto, por meio da conta oficial de Instagram da atriz, administrada por seu bisneto Fernando Faria.
A família informou que ela morreu de causas naturais. Nenhum outro detalhe médico foi divulgado.
Nota do editor: Este artigo baseia-se em declarações da família via Instagram, reportagens da Folha de S.Paulo, G1, Quem e TV Pop, e registros de carreira da mídia brasileira, de 17 a 18 de agosto de 2026.
Como a família anunciou a morte
Na página oficial de Instagram da atriz, a família publicou:
«Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigado por tudo, nossa querida e eterna Laura Cardoso.»
Faria compartilhou a mesma mensagem em sua conta pessoal. A publicação não especificou uma causa além do que os familiares descreveram depois como causas naturais em casa.
Cardoso deixa duas filhas, Fernanda e Fátima Cardoso, três netos e o bisneto Fernando Faria.
Velório e funeral
Um velório privado para Cardoso está previsto para terça-feira, 18 de agosto, na Funerária do bairro Bela Vista, em São Paulo, das 8h às 14h, horário local.
Faria disse à Quem que a cerimônia será fechada ao público, embora a família tenha informado que homenagens do lado de fora do local seriam bem-vindas. Veículos brasileiros reportaram que colegas e amigos de longa data do setor eram esperados na cerimônia fechada.
Uma carreira de mais de oito décadas
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso em 13 de julho de 1927, em São Paulo, Cardoso era filha de imigrantes portugueses de Trás-os-Montes. Cresceu em um lar de classe trabalhadora no bairro Bexiga; o pai, comerciante apaixonado por teatro, apoiou suas ambições enquanto a mãe inicialmente resistia à ideia de uma filha no palco.
Cardoso começou a atuar aos 15 anos, primeiro no rádio nos anos 1940, antes de se tornar pioneira do drama televisivo brasileiro. Em mais de 80 anos, interpretou cerca de 150 personagens no rádio, teatro, cinema e televisão — incluindo mais de 100 papéis em novelas em emissoras como TV Tupi, Record, Band e, a partir de 1983, TV Globo, onde mantinha um contrato vitalício.
| Época | Destaques |
|---|---|
| Anos 1940–1960 | Rádio e TV inicial; primeira novela diária da TV Tupi, Quando o Amor É Mais Forte (1964) |
| 1968–1973 | Produções da Record, incluindo As Pupilas do Senhor Reitor |
| Anos 1980–1990 | Clássicos da Globo: Fera Radical, Felicidade, Mulheres de Areia, A Viagem, Irmãos Coragem |
| Anos 2010–2020 | Outro Lado do Paraíso, última novela A Dona do Pedaço (2019), curta-metragem Dona Rosinha (2025) |
Entre seus personagens mais lembrados estavam Dona Isaura em Mulheres de Areia (1993), Dona Guiomar em A Viagem (1994) e Dona Cândida em Felicidade (1991–1992). Em sua última novela, A Dona do Pedaço, interpretou Matilde Azevedo, uma avó em um lar de idosos cuidada pela neta — um papel que retomou temas de envelhecimento e abandono aos quais voltou em trabalhos posteriores.
Aparições recentes e homenagens
Embora Cardoso tenha se afastado do trabalho regular em novelas após 2019, permaneceu uma figura visível na Globo:
- Em outubro de 2025, recebeu uma estrela no Walk of Fame dos Globo Studios e participou da cerimônia de inauguração.
- Participou da vinheta de fim de ano da Globo em 2025, reunindo-se diante das câmeras com veteranos como Tony Ramos e Susana Vieira.
- Em 2024, apareceu na série do Globoplay Tributo, em um episódio que homenageou sua carreira.
- Seu último papel no cinema foi no curta-metragem de 2025 Dona Rosinha, sobre uma idosa abandonada em um ponto de ônibus pela filha.
- No palco, narrou a peça E o Zé, Quem É? em 2023.
Sua conta oficial no Instagram, com mais de um milhão de seguidores, frequentemente compartilhava momentos em família, hábitos de leitura e memórias de sua longa carreira.
Sobre a mortalidade — em suas próprias palavras
Em uma entrevista de capa à Quem em 2019 — o mesmo ano em que estrelou A Dona do Pedaço — Cardoso falou abertamente sobre a morte:
«Brinco com minhas filhas que só tenho medo de fantasmas. Mas não tenho medos, nem mesmo da morte. É bobagem temer a morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. Não sabemos quando vem, mas é certa para todos — só não diz quando. Amo a vida, agradeço a Deus por chegar a essa idade, mas um dia a gente vai.»
Era viúva de Fernando Ballerini e havia falado em entrevistas anteriores sobre a perda de um terceiro filho, José, que morreu com três dias de vida.
Homenagens de colegas
A notícia da morte de Cardoso provocou reações imediatas no mundo do entretenimento brasileiro.
- Miguel Falabella, ator e diretor, escreveu no Instagram que a conheceu no final dos anos 1980 e compartilhou décadas de teatro, televisão e amizade: «Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno».
- O comediante Marcelo Adnet publicou: «Eterna».
- Erick Marmo, que trabalhou com ela em Gabriela (2012), a chamou de «maravilhosa artista» e «fonte de inspiração com toda sua sabedoria e generosidade».
- A atriz Fabiana Karla escreveu que não estava preparada para uma despedida assim.
A mídia brasileira descreveu amplamente Cardoso como um dos rostos definidores da dramaturgia do país — uma artista que uniu rádio, a era de ouro das novelas e retrospectivas da era do streaming.
Discussão
A morte de Cardoso encerra um capítulo da história da televisão brasileira que começou antes de a maioria dos espectadores atuais nascer.
1. Qual papel ou momento de Laura Cardoso fica com você — e por quê?
Foi Mulheres de Areia, A Dona do Pedaço, uma atuação no teatro ou algo que você viu apenas em clipes e reprises? O que a presença dela na tela significou na sua casa?
2. À medida que as novelas brasileiras evoluem para o streaming e formatos mais curtos, o que se perde — e o que se preserva — quando uma pioneira como Cardoso deixa o palco?
Contratos vitalícios, homenagens no walk of fame do estúdio e vinhetas de reencontro mantêm essa história viva, ou a indústria segue em frente rápido demais?
Compartilhe o personagem, a cena ou a memória que vem à mente quando você ouve o nome dela.
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